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Os caminhos da vida!

O que é preconceito afinal?
A explicação que se aproxima mais rápido de mim é – quando temos uma idéia pré concebida a respeito de algo que não conhecemos profundamente. Geralmente o preconceito envolve um certo desmerecimento do assunto referido ou um tratamento pejorativo

Ok depois de escrever isso fui ao pai dos burros virtuais:  Wikipédia

Preconceito (prefixo pré- e conceito) é um “juízo” preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude “discriminatória” perante pessoas, lugares ou tradições considerados diferentes ou “estranhos”. Costuma indicar desconhecimento pejorativo de alguém, ou de um grupo social, ao que lhe é diferente. As formas mais comuns de preconceito são: social, “racial” e “sexual“.

Depois de ler isso vem a minha piada. Hoje em dia no meio da Dança Oriental sofrem preconceitos as bailarinas que:

- Tem qualidade técnica irrefutável . O exemplo que vou usar é uma bailarina que admiro muito e é alvo deste tipo de ação. Kahina! Assim como ela outras que simplesmente dão seu recado em cena, com apresentações primorosas e são chamadas de robôs da dança. Se isso não é preconceito que nome deveriamos dar? Inveja talvez?

- Se a bailarina for bonita, então o bicho pega mais ainda. Ela é linda e é  só isso. Existe outra bailarina incrível minha amiga e parceira de trabalho que também já sofreu esse. Mahaila el Helwa.

- Se ela for criativa demais, e resolver ousar também leva. Num mundo onde a liberdade de expressão deveria ser assegurada, ela é limitada por pessoas que não compreendem que gosto não tem nada a ver com respeito. Aqui entra Julli . Posso não gostar de algo mas tenho que respeitar a qualidade. Aliás eu gosto do que ela faz!

No purismo da dança Oriental , se ele um dia existiu talvez não houvessem interferências de outras técnicas de dança, mas isso ficou num passado distante pois todas as bailarinas orientais de qualidade ou quase todas, tiveram em seu corpo a influência de técnicas acadêmicas de dança.

A lista de bailarinas que sofrem ou sofreram ataques por simplesmente existir e ter um espaço garantido por muitos que as admiram, seria imensa então paro por aqui.

As falsas puristas de plantão volto a dizer:

Ninguém tem o direito de taxar o que é certo ou errado em dança oriental, pois ninguém detém a propriedade da mesma nem mesmo Mam Raquia Hassan ou Soraia Zaied. Nem eu , nem ninguém.

Menciono estes dois nomes pois foram as últimas pessoas a criticarem de forma pública a dança em nosso país.

Ambas são extremamente conhecidas e sua opinião tem peso
Oras, também sou então faço a minha parte

Estou em meu país, trabalho e estudo esta dança desde meus 17 anos. Respeito e respeitarei meus professores para sempre, mas quem dá respeito também quer receber.
Quero apenas o que é justo para todas nós, no coletivo e individualmente.

Madame Farida Fahmy me disse uma vez na sala da casa dela: Lulu se algum dia alguém que lhe disser que isso ou aquilo é totalmente errado em Dança Oriental, desconfie, pois esta dança nasceu com qualidades improvisacionais, e portanto não existem regras fixas para sua apresentação.

Existem molduras, bases, fundamentos, e para isso vc tem que se nutrir de diversas maneiras.
Os ouvidos com a música, os olhos com filmes, e danças. O corpo com a prática, a mente com a leitura, Nagib Maghfouz, é uma boa opção, um premio Nobel da literatura que pode te ajudar a entender melhor  temperamento e o invólucro social onde o povo egípcio está inserido.

Saiba mais sobre música, sobre os ritmos, estude e cresça.
Aprofunde-se mas não aceite nenhum professor que tente lhe cercear, pois isso não leva a nada!

A dança não é propriedade particular de uma mulher, duas ou três!
Está espalhada pelo mundo todo e assume formatos distintos onde se estabelece
Sobre a afirmação de que a dança no Brasil regrediu 5 anos eu digo o contrário, ela cresceu dez anos em variedade, qualidade e busca.

 Viajo o suficiente para poder me manifestar sobre a dança em nosso país, e  afirmo veementemente que o Brasil é extremamente fértil em bailarinas de qualidade que além disso ainda  tem um charme todo especial.

Sobre a critica dos elementos academicos envolvidos nas apresentações, sejam bem vindas, o clássico existe na dança Oriental desde os tempos faraõnicos, muito antes da decodificação do ballet clássico na corte francesa.
Ignorância é o que nos limita.

Prefiro mil vezes ver linhas maravilhosas, e boas sequencias de Mowashahat do que ver funk e axé dentro do solo de tabla e fazer de conta que isso é tradicional. A ousadia, se é para ser aceita , tem que ser aceita de forma irrestrita.

Aqui e em outros lugares do mundo.  Hoje em dia, até mesmo no Egito, se misturam elementos de outras culturas, na busca de um show mais interessante a nível de entretenimento.
Portanto se no Cairo isso  é praticado, porque não o seria no Brasil? Bulgaria, Hungria etc?

Se todas podemos ousar, ninguem tem o direito de limitar!
O público vai decidir o que toca seu coração ! E mais do que o público o que decide a qualidade de um artista é sua capacidade de permanecer.

O que se torna perene, tinha mesmo algo a dizer, o que desaparece com o tempo era apenas fogo de palha.

Beijos e Bom Domingo a todas!! 

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