» As fases e armadilhas da vida de uma bailarina – Parte I

As fases e armadilhas da vida de uma bailarina – Parte I

As fases e armadilhas da vida de uma bailarina – Parte I
As fases e armadilhas da vida de uma bailarina –  Parte I

Depois de tantos anos dançando, e muitas tentativas de parar, que nunca passaram da mera hipótese, sou obrigada a reconhecer que além de viver de dança, ela também é meu vício.
Por mais que tenhamos através dela tudo de bom e tudo de ruim, ainda parece que o saldo positivo ganha do negativo e então permanecemos.
Existem muitas formas de observar nossa trajetória, uma delas é a comercial, ver a nós mesmas como produto do mercado de entretenimento, mas sobre isso nem vou falar pois existe abundância de texto e de teorias, inclusive de pessoas que nunca dançaram e que só detém um lado desta moeda.
Tenho pensado muito, sobre as outras faces da dança, um pouco como as tantas faces de Eva.
Nenhuma de nós, é simples de ser compreendida, o fato de sermos mulheres, por si só complica tudo.
Para desenhar um quadro me perco na minha própria história, o que dirá da história de tantas outras.
Como começamos na dança?
Cada uma tem um motivo, e eles variam na mesma diversidade de nossos tons de pele e cores de cabelo.
O fato é que ao começar, não temos a mínima ideia, de onde isso vai nos levar.
 Talvez fosse interessante fazer um questionário, sobre os efeitos emocionais da prática da dança, ainda que por pouco tempo , nas milhares de mulheres que a experimentaram.
Tem algo que ouso afirmar, ninguém sai impune. Mesmo que tenha sido uma tentativa de 3 meses, isso de alguma forma lhe marca.
E agora fiquei, não consigo largar esta dança!
Aqui começa nosso calvário, ou melhor nossa escola.
Ao se apaixonar fazemos tudo e mais um pouco pelo objeto da paixão. Não medimos esforços, gastamos o que não temos, mas chega um ponto, onde a realidade nos chama, ou melhor o balão tem que voltar a terra, e aí tomamos novas decisões
Ontém ouvi uma frase que me parece muito pertinente:
“ a vida nos devolve exatamente na mesma proporção do que investimos nela”
Digo a mesma coisa da dança, a dança nos devolve exatamente o que fazemos por ela.
Armadilhas a postos, quais são elas? O que fazer com isso, compreender, aceitar ou evitar?
  Eu sei 
Esta armadilha, do conhecimento suficiente, traz alguns riscos, entre eles:
·         Se eu sei o suficiente, não preciso de aulas e portanto não vou a cursos, não pratico regularmente com outros olhos sobre mim, e não preciso de nenhuma sugestão
·         Outra face da mesma moeda, é o ato de não propagar as oportunidades de que minhas alunas conheçam outros trabalhos, pois isso poderia talvez, afastá-las de mim.  Ou considerando que de fato não sei tanto assim, não me exponho em situações onde o meu despreparo seria evidente.
·         Claro que as armadilhas nem sempre são conscientes, e por vezes, negamos até a morte que estamos enroscadas em uma delas
Quando o discurso ao dançar é o “ Eu sei” muito pouco de nossa alma é entregue durante a performance, ou até arriscaria a dizer , não entregamos nada. A dança é muito mais do que apenas o domínio do movimento!
  Eu sou sexy
 Essa armadilha é danada, dá a falsa impressão de poder ilimitado e aí mora o perigo.

Por que?
Ninguém é sexy para sempre, e nem jovem. Se vc é muito provocante ao dançar além da conta, cria um exercito de mulheres, incomodadas com sua presença e homens ávidos por um troféu que possa ser mostrado socialmente. 
No final das contas, o que lhe sobra?
Evidentemente a dança é sensual, agora mesmo vi em Porto Rico mulheres, dançando salsa num bar universitário, e era lindo de morrer, extremamente feminino, e atraente, mas não me incomodou em absoluto.
O problema é sempre quando a tônica passa do ponto, pois aí não é mais apenas um aspecto mas se transforma no próprio objetivo do dançar e então tudo vai por água abaixo.
Diga-se de passagem, o exercício da sexualidade faz muito bem obrigada, mas nem sempre é para ser manifestado publicamente!! Posso ser saudável e sexy para o resto da minha vida, em minha esfera particular, sem usar meus poderes devoradores, por onde passo!
  Eu serei linda e jovem para sempre!
Tadinha, essa é cruel mesmo.
Evidente que não podemos perpetuar a juventude ainda que a gente tente com bastante afinco.
A promessa de tornar perene o que é fugidio, é a maior arma na mão dos dermatologistas, e médicos que trabalham na area da estética.
Nós, na busca do perfeito que existe dentro da nossa cabeça, ou como formato desejado dentro do mercado de dança onde atuamos, acabamos por nos martirizar em busca de um ideal que não é fixo, e nem pode ser alcançado por todas as pessoas.
Vejam não tenho nada contra, procedimentos estéticos.
Sómente penso que deveriamos colocar limites, para permitir que nossos amigos nos reconheçam.
A não ser que esteja fugindo deles, e de sua família e que seu objetivo seja de fato modificar totalmente sua aparência, mesmo que isso dê a impressão de que aplicou plástico nas bochechas e excesso de pimenta nos lábios.
Sou como todas , ou muitas mulheres, e me preocupo sim com a passagem do tempo, mas estou tentando, não enlouquecer com essa armadilha, pois ela é poderosa.
Tenho quase 46 anos, e vai chegar um momento, em que não vou querer me expor tanto, já estou considerando isso, e penso que a meditação a este respeito, é saudável e convida outras pessoas a considerarem o mesmo.
Será mesmo tão penoso envelhecer com honra?
Vou contando para vcs sobre minhas impressões!
 Eu tenho um nome, você sabe com quem está falando?
Essa  é de doer, mas é verdade. Nem sempre as palavras saem exatamente assim, mas o sentido é o mesmo.
Querida, vc tem um nome? Eu também e daí?
Usando uma expressão que li ontém num email bem vindo, parece que há uma lenda urbana, toda bailarina que comece a se apresentar um pouco mais muda de nome, ou tem que mudar de nome.
Um nome pode demorar anos para ser construído e pode se destruir em pouquissimo tempo, especialmente se por trás dele nao houver o escopo de um trabalho honesto e bem feito.
Quando a bailarina arvora para si mesma um nome ” artístico” era de se esperar que se transformasse em profissional. Era é o tempo verbal perfeito, pois nem todas que tem este nome especial são profissionais.
Quanto menos temos, mais nos orgulhamos. 
Minha mãe me dizia, uso sempre isso né? É que ela me faz falta….como ia dizendo, uma de suas citações, era:
Quem fala muito de outro, tem tempo de sobra e nada a fazer….
Esqueçam os nomes, o que vai ficar é quem vc é no palco, se toca ou não as pessoas.
Não é seu traje cheio de cristais austríacos, ou seu cabelo lindo, que vão fazer toda  a diferença
A diferença vai acontecer quando ao ser assistida por alguém, essa pessoa, não se impressione com você mas sim, se emocione!
Um nome é um rótulo, e não pode carregar em si todo o seu significado.
Não dê muito valor ao que é volátil!
Aprendi sózinha! Sou autodidata
Essa quando ouço, me coloca todos os cabelos da nuca em pé.
Tem gente que acha, que foi dormir sem saber nadica de nada, e acordou dançando.
Ou pior, tem uma amnésia muito específica que diz respeito a todas as pessoas que ela já encontrou desde que se interessou por esta bendita dança, mas de repente, não entende mais se toda esta vastidão de gente, tem qualquer importância no desenvolvimento dela.
Costumo dizer que até com as pessoas, com quem experimentamos o sabor amargo da vida, também aprendemos.
Vem me dizer que não tem professora?
Ou nasceu pronta ou é mentirosa!
Um seria milagre e o outro é bem comum.
Não caia nessa, sempre se lembre do caminho percorrido.
A vida é rua de duas mãos, uma hora a gente vai, na outra a gente volta, e pode precisar de algo!
Meninas, o texto continua a partir de amanhã!
Tem muita coisa ainda para vir!!!
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